Os Universitários e os Livros Didáticos na Espanha (1845-1936) ,


en Midori Deaecto, Marisa & Plínio Martins Filho (orgs.), Livros e universidades,  São Paulo, Editora Com-Arte, pp.  179-194.


 


Jean-François Botrel

 

No sistema de ensino espanhol do século XIX até 1936 – inclusive no ensino superior[1] –, o livro didático (em espanhol: “el libro de texto” ou simplesmente, “ el texto”), ocupa um lugar central e, além de sua dimensão estritamente pedagógica ou formativa (é “o livro que se usa nas aulas para que os alunos estudem por ele”, segundo o Dicionário da Real Academia Española), é um forte exemplo das políticas estatais, dos interesses do professorado (é uma das preocupações básicas dos reitores e professores) e dos setores editoriais, com algumas – poucas – evoluções no decorrer dos anos. Nesta palestra buscarei caracterizar a relativa originalidade do livro didático espanhol para o ensino superior no sistema global de ensino e da edição, entre 1845 e 1936[2].

 

1. A dimensão pedagógica

Para o professor universitário —o lente—, o livro didático é a emanação e formalização de uma autoridade oral sob a forma de um tratado ou manual, curso, compêndio etc., e, cada vez mais, o desenvolvimento e ilustração de um programa para formação e ajuda aos alunos. O convencional é que durante a aula o professor explique oralmente o livro didático: entenda-se como uma leitura com comentários[3], a partir de uma pedagogia rotineira[4].

 

Para o aluno, o livro didático é o alfa e ômega, a autoridade máxima : mesmo que se afirme que ler a lição em um livro didático e aprendê-la de cor, e que um livro didático sem a explicação do professor não vale[5], é o livro didático que há de levar o aluno a ser aprovado no exame, com óbvias consequências pedagógicas e outras[6]. Segundo Valle López (1991), o livro didático, em mais de uma ocasião, escrito mais por interesses pecuniários que científicos, provoca nos professores certo desinteresse pela originalidade em suas aulas e em suas possíveis e escassas pesquisas; para o aluno, é causa de apatia pela busca, consulta e crítica; gera um “formalismo verbal e mecânico no docente” e uma “passividade no aluno”. Daí expressões tais como “saber seu livro didático”, “diz o livro didático”, “ter uma cultura de livro didático”.

Como produção intelectual científica, o livro didático corresponde a um modelo estreito de saber e ciência (Valle López) e pode ser de escassa qualidade com mais empréstimos que originalidade[7]; é mais um texto acadêmico[8] que um texto de consulta[9] e tem uma arquitetura determinada por suas características de tratado – assemelha-se bastante ainda à summa medieval – ou de compêndio, com pretensão à totalidade, quando não à exaustividade.

Formalmente falando, o livro didático costuma ser compacto e de grande conservadorismo quanto à diagramação[10]: costuma-se aproveitar ao máximo a mancha, com tipos pequenos, entrelinhas reduzidas e escassas ilustrações (exceto nos livros de medicina ou técnicos), em branco e negro, com divisão em volumes ou níveis (cursos), quando é possível[11]. Seu preço costuma ser elevado. Essas são características que prevalecem até que, no final do século XIX e início do XX, algumas editoras como La España Moderna ou La Lectura começam a baixar os preços ou a introduzir certa modernidade no aspecto físico do livro.

Do excessivo protagonismo de um livro didático de baixa qualidade decorre uma aprendizagem mecânica, com predomínio da memorização, exames muito formalistas; remete a um ensino castrador para o espírito crítico e para a ciência. Os próprios catedráticos [funcionários “obrigados a obedecerem” (Hernández Díaz, 1998, 38)] mal são pesquisadores e publicam muito pouco. Daí, segundo Hernández (1998, 43), uma universidade decadente, quase moribunda, sem espírito crítico e sempre dependente das novidades científicas estrangeiras.

 

 

2. O controle dos livros didáticos

Em um sistema docente que oficialmente está apoiado no controverso princípio da liberdade de ensino e é regulamentado pelo plano de estudos de 1845, o plano Pidal, o livro didático, até o nível de graduação, está submetido a um controle estatal —uma situação semelhante à descrita por Marisa Midori (2011, 118-124) para a Acadêmia de Direito planaltina— e a uma política reguladora baseada no sistema de listas[12] ou, a partir de 1911, de aprovação livro a livro: para chegar a ser usado para o ensino, o livro deve ser aprovado e declarado didático[13]. Dessas listas de livros, o professor pode escolher livremente (Benito, 352), embora conste que em algumas universidades, como a de Salamanca em 1846[14] (Hernández, 1998, 372), o livro didático seja comum para a disciplina[15].

Nesse sistema, o ensino superior parece haver merecido um tratamento teoricamente adequado, mas de facto derrogatório: por exemplo, o sistema de listas foi substituído em 1901 pelo sistema de questionário[16] e, em 1926, se reconhece que, para os graus superiores de ensino universitário, a solução pode estar na liberdade dos livros didáticos (Villalaín, 2002, 15).

 

 

3. Os autores e o negócio do livro didático

Ser autor e/ou detentor de direitos de uma obra declarada didática pode chegar a ser um verdadeiro negócio. Para que seus livros sejam declarados didáticos, entende-se que os autores deverão se ater aos planos de estudo e a determinadas orientações pedagógicas e ideológicas. A maior parte dos autores são os próprios professores universitários mais ou menos sábios e eruditos[17], e o livro didático serve primeiro nas aulas de cada um (seus próprios alunos têm a obrigação de comprá-lo); mas a questão é conseguir que outros professores aceitem utilizá-lo, transformando, “alguns encarregados dessa alta missão social”[18] – na verdade professores negociantes –, o ensino em mercantilismo, na opinião dos editores em 1906 (BE, 16 jan. 1906).

Ocorre que muitos professores catedráticos precisam de mais dinheiro do que o que lhes proporciona o mesquinho salário anual: por isso se dedicam ao jornalismo (caso de Clarín), à tradução (Unamuno[19]) ou, evidentemente, à redação de livros didáticos, para complementar a renda.

Para que se tenha uma ideia, entre 1908 e 1924, Fernando Lossada y Sada, professor numa academia militar e autor de um Manual práctico-militar de ferrocarriles[20] e de um Manual práctico-militar de telegrafía[21], ganha por uma edição de 2 mil exemplares do Manual de ferrocarriles (8 pesetas): 6.040,45 pesetas[22],  e pela 6a e 7a edições do Manual de telegrafía, 6.554,80 + 7.972 = 14.526,80 pesetas. Com base nesses dados, calculo que, entre 1886 e 1916, Lossada deve haver vendido 10 mil exemplares de seu Manual de ferrocarriles  e 10 mil exemplares de seu Manual de telegrafía, e por essas quantidades deve haver recebido cerca de 60 mil pesetas, ou seja, cerca de 2 mil pesetas por ano entre 1886 e 1916 – quase a metade do salário anual de um professor catedrático de universidade naqueles anos. Se a isso acrescentarmos o fato de que o livro didático costuma ter uma vida bastante longa, vemos que o investimento intelectual pode revelar-se bastante rentável[23].

Mesmo para o professor que não fosse autor do livro, o simples fato de recomendá-lo podia ser fonte de renda...[24]

 

 

4. O mercado do livro didático

Trata-se de uma atividade rentável, devido às características do mercado: um mercado restrito – a universidade espanhola é elitista[25] – mas “cativo”[26]. Embora, como observa o Diretor Geral de Instrução Pública em 1894, “legalmente, não se imponha ao aluno a obrigação de comprar o livro didático, é claro que na prática a liberdade de adquiri-lo não é realmente ilusória (...). A relação que desse modo se cria entre autor e aluno é, pois, de fato, de caráter forçoso para o último” (apud Guereña, 2003, 670). Apesar do costume de ceder os livros didáticos como livros de segunda mão, esse mercado vai se renovando e se ampliando a cada ano, devido ao aumento do número de alunos[27] e à conquista do mercado hispano-americano pelos livros didáticos espanhóis. As áreas com maior demanda e venda são Direito e Medicina, configurando-se a produção em função desses parâmetros[28].

Não dispomos, que eu saiba, de uma estatística dos livros didáticos publicados e aprovados. Sabemos apenas, por exemplo, que em 1866 a oferta de Matías Real, livreiro em Valência, chegava a 886 livros escolares, que, em 1885, estão relacionados 1.209 livros para ensino primário no Catálogo do Ministério (Guereña, 2003, 666), mas faltam dados sobre o número de obras que podem ser incluídas na categoria “livros didáticos” para o ensino superior.

Esses livros didáticos costumam ter uma extensão “extraordinária” e um preço elevado, proporcional ao número de páginas[29]. Quanto à tiragem, devido às características do mercado, quase nunca superam os 2 mil exemplares[30].

Mesmo assim, o sistema de produção e difusão apresenta algumas evoluções, das quais se dará agora uma rápida ideia.

 

 

5. A autoedição e a autodifusão

O ponto de partida, quase do Antigo Regime, é o livro didático redigido, editado e vendido (direta ou indiretamente) por seu próprio autor, que é ao mesmo tempo quem o indica para um mercado restrito, no qual se encontra em situação de exclusividade.

 A essa situação se costuma associar a muito difundida prática clandestina, denunciada por livreiros e editores[31], ou seja: a edição e venda de livros didáticos e programas nos estabelecimentos de ensino pelos porteiros e zeladores, bedéis, secretários e até os próprios professores, sacerdotes (nos seminários) e militares (nas academias militares) (BE n. 22). Uma prática muito arraigada e duradoura, pelo visto[32], por mais que os editores e livreiros façam observar que é de menor eficácia[33].

 

 

6. A difusão dissociada

Um primeiro passo rumo à profissionalização da edição escolar e universitária consistirá em que os autores proprietários deleguem a difusão a editores estabelecidos: os primeiros editores escolares e universitários, como Hernando, não são mais do que distribuidores (administradores) para um mercado muito exíguo[34].

Aos livros didáticos aprovados para as universidades, aplicam-se (em escala reduzida) as estratégias editoriais vigentes para o ensino primário e secundário, estudadas a partir do caso da casa Hernando, de Madri (Botrel, 1993): devido às sucessões ou para uma divulgação mais eficaz, os proprietários de livros didáticos encarregam a uma livraria ou editora a divulgação e a administração dos mesmos: consta que a condição para entrar no mercado nacional espanhol e ainda mais no hispano-americano é valer-se de uma comercialização profissional, mesmo quando continue sendo editado por conta do autor[35].

 

 

7. Impressão e difusão por um editor

O passo seguinte dá-se com a impressão e subsequente divulgação por um editor de uma obra cuja propriedade intelectual continua pertencendo a seu autor. O editor encarrega-se da impressão (descontando os gastos decorrentes dos direitos ou do valor pago) e da divulgação mediante uma porcentagem variável segundo a notoriedade do autor e, consequentemente, as vendas esperadas – de fato, o editor pode antecipar ao autor o resultado das vendas, comprando toda a edição – e também a estratégia do editor para atrair um determinado autor novo e enriquecer o que aparece como seu catálogo. Um exemplo arquetípico pode ser o de Geometría, de Miguel Ortega y Sala (professor da Academia de Ingenieros entre 1877 e 1886), uma obra escolhida como didática pela Real Orden de 7 de outubro de 1884, no concurso realizado em 30 de abril do mesmo ano pela Dirección General de Instrucción Militar para ingresso em academias: as primeiras edições (a 1a, de 1885; a 2a, de 1887; a 8a, de 1899) foram impressas em Toledo e, em 1903, a casa editora Hernando se encarregou das sucessivas edições até... 1957!!! (23a ed.). Em 1903 (9-XII), pelos 2.088 exemplares da primeira parte (vendidos pelo preço de 15 pesetas) e 2.500 exemplares da segunda parte (7 pesetas), Hernando recebe 30%, mais os gastos de impressão, ficando para o autor 29.370 pesetas[36].

Somente no fim do século XIX e início do XX se observa um envolvimento de alguns editores em um setor talvez mais rentável devido ao aumento do número de alunos e ao potencial do mercado hispano-americano, com não poucas dificuldades ou obstáculos.

 

 

8. A edição por um editor profissional

O mais comum é que os editores traduzam para o espanhol, com a colaboração de especialistas espanhóis, obras de referência disponíveis no mercado estrangeiro (na França, principalmente), caso das obras de medicina publicadas pela Cosmos Editorial[37] ou pela Salvat[38], para o mercado espanhol e hispano-americano. A própria casa Hernando comprou da Vogel, de Leipzig, em 1909, os direitos de tradução da 2a edição de Diagnóstico especial de cirurgía para médicos y estudiantes, do Prof. F. de Quervain, catedrático da Universidade de Berna[39]. Publicou também, quase por sua conta, algumas obras originais, como o Tratado de química biológica, de José Rodríguez Carracido[40] (14-V-1903), o Tratado de farmacia práctica galénica y de algunos asuntos relacionados con la misma (de utilidad para los alumnos y farmacéuticos en ejercicio), do doutor Joaquín Olmedilla y Puig[41], ou Elementos de topografía, de Augusto Sanz Marcos[42].

Seria conveniente apreciar o grau de originalidade dos referidos livros didáticos versus os “empréstimos” observáveis, devido a uma hispanização de um material estrangeiro.

No campo do direito e das ciências humanas e sociais, o primeiro projeto editorial para a reforma da universidade, com a ideia de combater os “costumes muito arraigados” e “abrir caminhos e costumes novos e bons” (Yeves, 2001, 111) é o de La España Moderna, com sua Biblioteca de Jurisprudencia, Filosofía e Historia, iniciada em 1893: para “fazer livros que possam servir aos alunos”[43] (Yeves, 2001, 79), Lázaro Galdiano publicou alguns manuais como o de Historia de la economía política, de  John Kells Ingram[44], ou o Sumario de Derecho Romano, de (William Alexander) Hunter...[45] Para a tradução das obras, Lázaro não lança mão de mercenários da tradução como se costumava fazer então, mas contrata universitários especialistas, capazes de entender e compartilhar um código científico e participar com toda a sua autoridade na aclimatação para a hispanização dos autores introduzidos na Espanha, caso da tradução, por A. Posada, de Cuestiones jurídicas, de Ihering, em 1894, ou do prefácio da Historia de la literatura española, de Fitzmaurice-Kelly, por Menéndez Pelayo, em 1901 (Botrel, 2010).

Diante da “inanidade mental de uma parte significativa do professorado escalafonado da época”, como escreve J.-C. Mainer (apud Botrel, 1998, 234), e do depauperado mundo intelectual do momento, Lázaro se esforça para “abrir as janelas” e, para consegui-lo, pretende contar com a colaboração da minoria progressista da universidade[46]. Evidentemente, não subestima o poder indicador do corpo docente e, por exemplo, não deixa de enviar gratuitamente a cada professor da disciplina um exemplar da obra[47], com resultados muito limitados, já que a maioria dos catedráticos se inclina preferentemente pelos manuais mais tradicionais e mecânicos.

A preocupação por dotar a Espanha de obras de referência e satisfazer com eficácia a demanda de livros didáticos, de obras clássicas, de teorias e estudos ou de propostas pedagógicas, que se pode observar nas inovadoras e regeneradoras empresas Sempere e Cía de Valencia, da “Biblioteca moderna de ciencias sociales”, dirigida em Barcelona por S. Valentí Camp, e, a partir de 1906, da “Biblioteca de Filosofía Científica”, da Librería Gutenberg (Botrel, Desvois, 1991), encontra sua expressão mais duradoura em La Lectura, criada em 1901, com um capital de 122.113,25 pesetas, como revista e depois como casa editora. Representam a moderna intelectualidade europeia com dupla vocação, espanhola e hispano-americana. Em suas empresas, pode-se apreciar uma visão global regeneradora e integradora do fato educacional (história, teoria, didáticos e literatura infantil) e também certa modernização das formas do livro, mesmo com respecto à España Moderna. Mas, o mais decisivo é obviamente a criação, em 1913, da coleção Clásicos Castellanos – uma coleção didática – que se diferencia da primeira Biblioteca de Autores Españoles (Botrel), mas também da Nueva Biblioteca de Autores Españoles, de Menéndez Pelayo, publicada por Bailly-Baillière a partir de 1905, pelas ambiciosas propostas de R. Menéndez Pidal, que tenta combinar a erudição crítica da moderna filologia – fala-se então de uma “severa depuração filológica” – com a vulgarização. Assim, pois, sob a direção de Tomás Navarro Tomás e Américo Castro, se publicará “todo o tesouro de nossa gloriosa literatura (...), os bons textos clássicos vertidos em livro moderno com introdução e notas”, com “perfeição técnica, esmero material (papel-bíblia) e extraordinário preço baixo”, 3 pesetas o volume in-oitavo de 300-400 páginas, encadernado em brochura, e até por 2 pesetas, por assinatura (Marco, 1992). La Lectura também publicará “Ciencia y educación”, com suas nove seções e um total de 137 títulos[48].

 

 

Conclusão

Com esses poucos exemplos, vê-se como na edição espanhola para ensino superior está inscrita uma tendência possivelmente observável também nos demais países: à medida que vai crescendo o mercado de alunos, vai surgindo uma nova autoridade científica e econômica “laica” que pretende substituir a estatal ou clerical (a dos catedráticos), aproveitando o relativo crescimento e liberalização de um mercado já não estritamente local ou nacional. Mas é muito notável, também, a inércia e a capacidade de resistência do professorado e da universidade, e podem ter subsistido até hoje algumas práticas características do início da universidade liberal (Botrel, 2008). No sistema do livro didático, fica gravada, pois, toda a inércia da universidade espanhola: as poucas evoluções devidas a uma relativa liberalização do sistema de controle e a alguns contados e visionários empresários, com a colaboração de uma minoria de catedráticos progressistas, mal afetam a pedagogia real, com não poucas consequências até hoje.

 

Tradução de Gênese Andrade

 

Bibliografia

 

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[1]Desde 1845 até a II República e a Guerra Civil, o modelo “liberal” de universidade é definido pelo Plan General de Estudios de 1845 (o plano Pidal), que se mantém quase sem alterações. E um plano em ruptura com a universidade do Antigo Regime, com a secularização, a centralização e a uniformidade do ensino, a liberdade de ensino ( o ensino é de cobrança), mas sob o controle do Estado (Hernández, 1998, 36). Existem dez universidades, não todas com todas as carreiras: a (universidade) Central de Madri, mais destacada, com monopólio para as teses de doutorado, mais 9, e a de Havana; e despois a de Múrcia, (em 1915), e a de La Laguna (em 1927). Entre as Faculdades, predominam as de Direito (pelo “caráter funcionarial dos estudos universitários”), depois as de Medicina, de Filosofia e Letras, Ciências e Farmácia. Há ainda algumas escolas especiais de engenharia (Minas, Civil, Portos, Industrial), academias militares[1], seminários e Escolas Normais.

[2] Para este estudo, além da escassa bibliografia disponível e de estudos anteriores de minha autoria, utilizei informações extraídas de cerca de 30 contratos para livros didáticos para ensino superior conservados no arquivo da casa Hernando (Botrel, 1993, 386).

[3] A literatura oferece dois modelos opostos de explicação do “libro de texto”: segundo Clarín, no conto Zurita (Pipá, 1886), “Zurita, para cumprir a lei, explicava em aula o livro didático, o que não fazia diferença; explicava-o rápido, e se as crianças não entendessem, melhor; se ele se atrapalhava e o tornava obscuro, melhor; daquilo era melhor não entender nada” (é a pedagogia dominante), mas uma exceção  pode ser a evocada por  López de Haro, em Yo he sido casada (1930): “entraram na classe os alunos do quarto período da Faculdade de Direito, uns homens já. Em poucos instantes, cada um já estava em seu lugar, com o caderno em uma mão e a caneta na outra. O novo catedrático, senhor Gerardo Bremón, não se atinha em seus ensinamentos a nenhum livro didático, e era necessário tomar notas da explicação cotidiana” (apud CORDE:  Corpus Diacrónico del Español de la Real Academia Española). Em 1963, ainda se pode ler que “o livro didático nas mãos do alumno sem a explicação do professor es quase inútil” (apud CORDE)

[4] Uma exposição durante uma hora e meia de uma aula magistral com leitura e comentário do livro didático, com, quando era o caso, alguns exercícios práticos (Valle López. 1991), e poucos elementos práticos de apoio ao ensino e à pesquisa, devido à ausência de bibliotecas ou aos laboratórios e salas de trabalhos práticos precárias e anacrônicas .

[5] Uma grande parte dos alunos – mais da metade em 1901 – estudava com estatuto de “libre” (não obrigado a frequentar escolas). Os alunos no ensino superior podiam começar aos 15 anos (60% dos alunos entre 15 e 22) e buscavam sobretudo aprovação nos exames, nos quais só contava o arsenal de conhecimentos armazenados (Valle López, 1991, 256-7).

[6] Em 1925,  por exemplo, “o senhor Albiñana Mompo referiu-se à inércia em que se encontra a Universidade Central com relação ao problema do ensino. Os alunos não aprenderão nunca nada útil enquanto se perseguir a aprovação por frequência e a aprovação por haver comprado o livro didático original do Catedrático que vai realizar seu exame e lucra com parte do preço do livro, e tendo que agradecer esse ganho ao comprador, ou seja, ao aluno” (apud CORDE).

[7] Cf. Princípios de Direito Natural de José Maria Avelar Brotero (Midoro, 2011, 121-2)

[8] Segundo a Historia de Puerto Rico de P. G. Miller (1939), “o bom livro didático deve reunir duas condições essenciais: primeiro, apresentar os fatos à luz da verdade; segundo, apresentar a matéria de acordo com um plano que a torne adaptável à apresentação do professor e à inteligência e compreensão da criança” (apud CORDE).

[9] Segundo Unamuno (1900), “um livro didático que sirva apenas como texto acadêmico, e não de consulta, logo, é imperfeito” (apud CORDE). Em El árbol de la ciencia (1911), Pío Baroja evoca um “libro de texto” da seguinte maneira:  “Primeiramente, o livro didático era um livro estúpido, feito com recortes de obras francesas e escrito sem clareza e sem entusiasmo, lendo-o não se podia ter uma ideia clara do mecanismo da vida; o homem aparecia, segundo o autor, como um armário com uma série de aparelhos dentro, completamente separados uns dos outros como as dependências de um ministério [...] Era impossível que com aquele texto e aquele professor alguém chegasse a sentir o desejo de mergulhar na ciência da vida. A Fisiologia, ensinada assim, parecia uma coisa estólida e deslavada, sem problemas de interesse nem atrativo algum” (apud CORDE).

[10]  Sobre os aspectos formais do libro didático para o ensino primário e secundário, cf. Escolano Benito (1993).

[11] Não é nenhuma « arte invisível » (Martins Filho, 2008), mas ausência de arte.

[12] Desde 1836 tinha-se estabelecido listas de livros adotados como didáticos, para  “pôr fim aos inconvenientes da liberdade absoluta e deixar campo suficiente às pessoas doutas para se dedicarem à composição de livros úteis versus o interesse próprio, a inércia e os compromissos que costumam ser causa de que os professores se decidam por obras de valor escasso” (Hernández Díaz, 1998, 43).

[13] Nos títulos ou subtítulos costuma-se precisar: “Obra declarada de texto para (…) y premiada con…”. Em 1898, os critérios para a aprovação eram os seguintes: se o livro estiver escrito com correção, se não tiver erros notórios, independentemente de sua doutrina, ordem e desenvolvimento, se não for contrário à moral nem às instituições fundamentais do Estado, se se ajustar ao índice de matérias acordado pelo Conselho, independentemente de sua doutrina, ordem e desenvolvimento, se tiver as proporções correspondentes à extensão e caráter da disciplina de que se tratar (Utande, 1964, 335-336). Daí, o problema apresentado para o Poder, em 1875,  pelos “textos vivos” (os profesores krausistas que explicam sem textos impressos).

[14] O livro didático deve ser aprovado em Madri, também pelo conselho universitário ou pela junta de decanos e às vezes até se obriga a servir-se de um livro determinado (Hernández, 1998, 377). “Os livros que conviria declarar didáticos”: por exemplo, na  Universidade de Salamanca, em 1846, para princípios de psicologia, lógica e ideologia, o livro didático é o Manual clásico de filosofía de Servant-Beauvais (Etienne), traduzido por Uribe (Manual clásico de filosofía, traducido, arreglado y adicionado por Don José López de Uribe y Osma (Madrid, 1843-45, 2 vol., 2a ed.); y para história geral, Elementos de historia universal (desde el principio del mundo hasta nuestros días), de Francisco Verdejo Páez (1826), declarados didáticos, evidentemente, etc. (Hernández, 1998, 376).

[15]  Observa Marisa Midori (2011, 120), para São Paulo, que « não constitui per se uma relação estebelecida nos moldes do mercado. Afinal, a produção do profissional das letras, no caso dos lentes, não vinha a público antes de formulado um parecer pelos órgãos competentes ».

[16] Pelo que se pretende determinar o caráter, a extensão e os fins de cada uma das disciplinas incluídas no plano de estudos. Cada questionário terá caráter único e oficial (Villalaín, 2002, 14).

[17] Urbano González Serrano, professor de filosofia na Universidad Central de Madrid, é, por exemplo, autor de uns livros didáticos titulados Elementos de lógica, Elementos de ética, Manual de psicología e Manual de lógica e também de uma brochura sobre Psicología contemporánea. Segundo Martín de Riquer (1967), “Quando Guillermo Díaz-Plaja ganhou sua cátedra de Literatura, sua primeira tarefa foi redigir um livro didático para seus alunos, que muito rapidamente não foram os próprios do Instituto Balmes de Barcelona, mas uma grande massa de alunos de Bacharelado da Espanha e da América Hispânica. (apud CORDE).

[18] No prólogo à sua Historia general del derecho español. (1887), Eduardo de Hinojosa escreve que “ao publicar a presente obra, aspirou a suprir, na medida em que o permite o estado atual dos estudos, o vazio de nossa literatura no que se refere ao livro didático, acomodado à extensão e caráter que veio dar ao ensino da História do Direito espanhol o Real decreto de 2 de Setembro de 1883” (apud CORDE).

[19] Catedrático de grego na Universidade de Salamanca, com muitos filhos, traduz a Física de Balfour Stewart por cerca de 200 pesetas em pouco mais de um mês (Yeves, 2001). Em 1910, pela tradução do alemão da 2a edição de Diagnóstico especial de cirurgía para médicos y estudiantes pelo Prof. F. de Quervain, catedrático da Universidade de Berna, os doutores C. Cubo y Sanz e L. Lotero recebem 40 pesetas/fólio, ou seja: para 725 páginas in 4°, cerca de 3.625 pesetas.

[20] 1a edição em 1886; 7a ed. de 2.500 exemplares em 1924.

[21] Manual práctico de telegrafía militar: obra adoptada como texto definitivo para las academias general militar y de aplicación de caballería por Real Orden de 7 de marzo de 1885. (231 p., [6] folhas de gravuras dobradas; 20 cm), Madrid: Librería de la viuda de Hernando y Ca, 1886, 1a edição em 1886; 7a ed. de 2.500 exemplares em 1923.

[22] Posteriormente, seus herdeiros recebem 5.973 + 8.896 pela 6a e 7a edições.)

[23] Por exemplo, pelas 4ª, 5ª y 6ª edições (mais a reduzida de 1917) de El derecho vigente en España (…) para uso de los alumnos de derecho usual en los Institutos y escuelas normales, de Baldomero Argente esgotadas entre 1908 e 1920 (cerca de 10 mil exemplares), entre 1910 e 1917 recebe o autor 8.083 pesetas.

[24] Para Rudimentos de Derecho…, de Escribano Hernández, por exemplo, como o livro há de ser vendido a 5 pesetas, “30% há de ser destinado pela casa de Perlado Páez y Cia à bonificação dos professores que adotem o livro e, uma vez provada a adoção ou recomendação do referido livro. Em 1917, por Derecho vigente en España, o desconto é 20% para professores e 10% para livreiros!

[25] A de Madri, com 5 Faculdades, tem 4.452 alunos em 1875-6 e 4.797 em 1900-1.

[26] “Embora legalmente não se imponha ao aluno a obrigação de comprar o livro didático, é claro que na prática a liberdade de adquiri-lo não é realmente ilusória: não entendê-lo assim valeria tanto quanto sustentar que o livro didático era desnecessário. A relação que desse modo se cria entre autor e aluno é, pois, de fato, de caráter forçoso para o último”, escreve o Diretor Geral de Instrução Pública em 1894 (apud Guereña, 2003, 670). Pode-se supor, por exemplo, que os 2000 exemplares da 8a edição (1882) do Curso elemental de pedagogía de Joaquín Avendaño y Mariano Carderera, editado por primeira vez en 1850,  ter-ia uma venda assegurada nas Escolas Normais, posto que em 1885 torna-se a editar o mesmo número de exemplares para a 9ª edição e a editora Hernando tinha a obrigação de pô-la à venda (5 pesetas) antes do começo do ano escolar. O mesmo passaria com o Tratado de lectura y escritura de Joaquín Avendaño que em 1882 atingia a 10ª edição (de 2.000 exemplares) comprada por 1.250 pesetas por Hernando (Botrel, 1993, 409).

[27] Em 1863, 56 alunos para cada 100 mil habitantes, 157 em 1914, 153 em 1932, 195 em 1950, 459 em 1967 (apud Hernández, 1998? 42), e 37.286 alunos em 1940.

[28] Em 1860: 8 mil alunos, 70% deles em Direito e Medicina; 17 mil em 1900 (8 mil assíduos, 9 mil “livres”), dos quais 7.400 estudavam a carreira de Direito; em 1930: 33.760 (90% em Medicina e Direito). Quanto às escolas de engenheiros: 549 em 1860; 1.461 em 1900.

[29] Exemplos: em 1903, 20 pesetas um Tratado de química:; em 1907, 25 pesetas um tratado de Farmácia prática, isto é, mais de 8 vezes mais caro que um romance. Em 1901, a 16a edição de Elementos de derecho mercantil de M. Carreras y González é vendida a dez pestetas e a 4a de Tablas de logaritmos trigonométricos y de cálculo de interés de Eusebio Sánchez Ramos a seis pesetas. Seria de especificar se é a mesma tendência geral ao barateamento  do libro (Botrel, 2004), também se pode observar para o libro didático.

[30] Em1917 (1-XII), os Esdios de economía social, de Joaquín Portuondo y Barcelona: (para engenheiros) tem uma tiragem de 10 mil exemplares; as tiragens da Biblioteca de Jurisprudência etc. de La España Moderna oscilavam entre 500 e 1 mil exemplares, e se calcula que, destes, somente 10% chegou a ser vendido. Em 1880 y 1883, porém, as tiragens do Manual de psicología y do Manual de lógica de González Serrano, foram de 3.000 exemplares (Botrel, 1993, 409).

[31] É um “câncer que mina e corrói o porvir da livraria espanhola (Bibliografía Española, n° 19 ou 1-V-1905).

[32] Em 1904, Informa Bibliografía Española (n° 19), que “vários catedráticos de universidade e institutos que vendiam seus livros particularmente (venda direta) já os entregaram aos livreiros”.. Mas no número de 16-II-1906, a mesma revista profissional diz que foram enviadas “mais de 200 comunicações a reitores de Universidade e Seminários, a diretores de Institutos, de Academias militares e de Escolas Normais, superiores de congregações religiosas”, e em 1916, ainda se recordas a necessidade de acatar a Real Orden de 27-IX 1901 sobre Proibição de venda de livros didáticos nos estabelecimentos oficiais de ensino.

[33] Cf. o que escreve o editor escolar Calleja em 1914: “O autor que roubando o tempo a seus afazeres naturais, o estudo e a leitura, pretenda montar uma oficina, por modesta que seja, para administrar ele mesmo suas próprias obras, não tarda em aprender às suas próprias custas a importância da função do editor e quão ilusório é querer realizá-la ao mesmo tempo que a de autor, sem que ambas sejam perfeitamente cumpridas” (apud Guereña, 2003, 667a).

[34] Por exemplo, em 1879, a editora Hernando compra a Urbano González Serrano, professor de filosofia na Universidade de Madrid, por 14 000 reales (3.500 pesetas) 900 y 1000 exemplares de edições existentes de Elementos de lógica y Elementos de ética. Das edições do Manual de psiciología e do Manual de lógica, encarregar-se-ia Hernando en 1880 y 1883, comprando-as por 15 000 reales  cada uma (Botrel, 1993, 409).

[35] Para a venda dos 2.000 exemplares da 4a edição do Vocabulario del Derecho Internacional Público: ensayo para vulgarizar la nomenclatura y los conocimientos elementales de la referida ciencia, de Alfonso Retortillo y Tornos, impresso em Cieza o contrato “leonino” estipula que “se dois anos depois de assinar o contrato não tiverem sido vendidos 600 exemplares, a diferença será paga a Hernando em livros”, e os autores dão a exclusividade à editora, se comprometem a não publicar outras obras de Direito internacional público, e só recebem 27.68% do preço de venda X-1909). Em 1908 (7-VIII), a venda da Trigonometría rectilinea y esférica de Gómez Pallete, General de divisão e Engenheiro militar, fica ao cuidado de Perlado, Páez y Cia (em exclusividade), com 15% de desconto.

[36] Mais exemplos: segundo o contrato de 16-IV-1919, para uma edição de 2.000 exemplares do Compendio de psiquiatría infantil, com gastos de edição a cargo de Hernando, o autor, Augusto Vidal Perera, receberá a 60 % de 6 pesetas uma vez saldados os gastos de impressão (2845.50 pesetas); Godofredo Escribano Hernández, autor de Rudimentos de Derecho y nociones de economía política (1a ed. em 1909), vende (10-VIII-1910) a 2a ed. de 2 mil exemplares a 3 pesetas com desconto de 50% para o editor, e a 3a ed .(20-X-1911) de 2 mil exemplares cartonados a 3 pesetas, com desconto de 40% para Hernando (3.798 pesetas. Para a 4a ed. (18-VII-1917) de 2.102 exemplares cartonados a 3,50: 40% para Hernando.

[37] Em 1884, as traduções de obras científicas de médicos franceses (Charcot, Fonsagrives, Dumontpallier Audhoui Pouillet), mas também de espanhóis (Verdós, Blasco Vázquez ou Santero Van-Baumberghen, catedrático da Universidad Central, autor de Elementos de higiene privada y pública, 1885, 2 vols,  podem ser adquiridas também em dez países hispano-americanos (Botrel, 1989, 92).

[38] Entre 1912-14 e 1918-23, dos seus títulos de medicina e farmácia (compêndios, manuais, tratados e a Biblioteca de terapêutica, tradução da Bibliothèque de thérapeutique (1909-1929), publicada em París por J.-B. Baillière et fils ), mais de cinquenta, vendem-se em Hispano-América mas mais caros que os franceses e segundo observa Santiago Salvat en 1913 (Castellano, 2010, 243), em Bogotá los metges « han estudiat en francés y no hi ha ningú que’ls faci apartar de les obres franceses » « l’unic recurs donchs eds demostrar al estudiant que nosaltres en sabem tant d’editar com els francesos y que aà n’elles els hi molt mès cómodo estudiar en espanyol que en francés».

[39] Por 500 marcos, mais 5.728. 85 marcos pelas ilustrações, pranchas etc.

[40] 1a ed. de 2 mil exemplares a 20 pesetas (gastos para Hernando; 40% para o autor); 2a ed. em 1917; 3a em 1924: 2 mil exemplares a 30 pesetas; 45% para o autor.

[41] Madrid, Perlado, Paez y Ca, 1907, 1060 p., 25 pesetas. O autor recebe 40% e  pode comprar exemplares com 60% de desconto.

[42] Pelos 2 mil exemplares (9-VIII-1930), o autor recebe 20% de 16 pesetas.

[43] O 21-IX-1894, escreve Lázaro Galdiano: “O Decreto que reforma o ensino secundário me sugeriu a ideia de fazer livros de acordo com seu espírito”, “quero experimentar para ver se eles me dão melhor resultado que os feitos até agora” (Yeves, 2001, 80), e “de todos os publicados por mim, só vendem os que são de utilidade para os alunos e gostaria, portanto, de fazer com toda preferência livros didáticos” (Yeves, 2001, 86).

[44] 328 p.; 7 pesetas em 1895.

[45] No prólogo que Lázaro encomendara a Unamuno como propaganda, este escreve que se trata de um bom “Remedia Vagos” e Lázaro o censura (Yeves, 2001, 87).

[46] Chama a atenção ver como Lázaro tem cuidado de valorizar editorialmente a autoridade universitária, trate-se de autores ou de tradutores, ao especificar na capa de Las instituciones eclesiásticas, de H. Spencer, por exemplo, “Tradução do inglês, prólogo e notas por Adolfo Posada, Catedrático de Direito na Universidad de Oviedo”. Mas a reposta dos universitários foi escassa: segundo Láraro, os livros de “Direito” são os que se vendem um pouco (Botrel, 2010).

[47] “Envio-lhe, como a todos os professores da disciplina, a Historia de la Literatura Griega, de Murray”, escreve Lázaro Galdiano a Unamuno (22-IV-1899; Yeves, 2001, 100 ).

[48] Sobre uma iniciativa anterior —a Biblioteca de Autores Españoles—, cf. Botrel, 2006.